SOBRE CHARGE

 Pontencialidade Hitórica do Charge.
 
 

 

“Os arqueólogos desvendam o passado remoto a partir de coisas como moringas e fezes cristalizadas (…) Desconfio que quando esta fase da vida brasileira que atravessamos com lama pelas canelas também for história remota, os pesquisadores a reconstituirão a partir do trabalho dos seus chargistas, os únicos que chegaram perto do absurdo reinante com o instrumental apropriado: um olho cético, uma mão ligeira e o gosto pelo exagero revelador. Esqueça os relatórios e os editoriais. A verdade está no detalhe, nos desenhos na margem, e no absurdo”

Fonte: Trabalho apresentado no Núcleo de História em Quadrinhos, XXVI Congresso Anual em Ciência da
Comunicação, Belo Horizonte/MG, 02 a 06 de setembro de 2003.  

 
 
 

 

A História e os Charges.
 
 

 

A História se relaciona muito bem com outras áreas do conhecimento humano. Por diversas vezes faz destas outras áreas um suporte para expandir suas análises ou complementar o sentido de seu estudo, outras vezes é a História que serve de esteio para a análise, interpretação ou expansão de outro ramo do saber.
Uma das atividades que muito se afina com a História e que tem sido usado ao longo do tempo como um recurso valioso na expressão do conhecimento histórico é a Charge. Os desenhos satíricos que mostram personalidades da política ou mesmo fatos e situações corriqueiras em tons irônicos são um valioso material para reforçar ou ampliar a análise histórica de um fato.
A Charge é também uma expressão cultural de um povo, de um lugar e de uma época – logo histórica. A observação das charges, pode relevar muito sobre os padrões culturais de um povo, de uma sociedade. Neste quesito, parece ser o Brasil um privilegiado, pois desde os tempos de Império que possui importantes chargistas ou cartunistas a desvelar com bom humor os fatos do dia-a-dia político do país. De Agostini a Caruso, passando por Jaguar, sempre tivemos excelentes cartunistas em nossa imprensa. Que continue sendo assim, afinal, imagine o leitor um jornal sem as charges…

 

Fonte: http://cliojorge.blogspot.com/2007/07/charges-e-histria.html

Fonte: http://grafar.blogspot.com/2008/04/datas-descobrimento-do-brasil.html

 
Por: Mariana Oliveira Silva

 

QUAL A DIFRENÇA ENTRE CHARGE, CARTUNS E QUADRINHOS?

Essas formas de humor são produtos da capacidade que o ser humano tem de poder ver graça nas pessoas e situações. O humor – peculiaridade inerente do Homem – se manifesta por meio de gestos, encenações, olhares, sons e textos. Num momento inspirado ele faz uma crítica de costumes, de moral, de comportamento social, seja cantando, imitando, encenando uma situação que reflete aquilo que viu e/ou sentiu. Claro que às vezes ele distorce e exagera o fato para dar um toque cômico à sua demonstração, com o intuito apenas de obter o riso. Quando consegue isso, fica satisfeito, pois seu objetivo foi alcançado.

Muito hábil, o Homem quando não consegue contar, encenar ou cantar, usa o desenho. Nesse momento surge a caricatura, uma forma que existe desde que ele aprendeu a rabiscar nas cavernas ou seja: um recurso que inventou para manifestar sua imaginação em relação ao mundo que o cercava.

Com o tempo surgiu a charge, o cartum e os quadrinhos. Não é fácil estabelecer uma diferença definitiva entre essas formas de arte. Vamos tentar:

Caricaturar é deformar as características marcantes de uma pessoa, animal, coisa, fato, mantendo-as próximas do original para haver referência na identificação. A caricatura, em geral, pode ser usada como ilustração de uma matéria (fato), mas quando esse “fato” pode ser contado inteiramente numa forma gráfica, é chamado de charge. Portanto, a charge nasceu da caricatura. Isso foi no século XIX, quando o desenhista francês Honoré Daumier criticava implacavelmente o governo da época com seu traço ferino no jornal La Caricature. Ao invés de escrever nomes ou descrever fatos ele ia à carga (charge = ataque) e impunha uma “opinião” traduzindo ou interpretando os fatos em imagens sintéticas que misturavam pessoas (figura social), vestimentas (classe social) e a situação (cenário). Os jornais logo perceberam o potencial da charge para noticiar atacando as áreas: política, esportiva, religiosa, social. O público adorou. A partir daí a charge virou “forma de expressão” passando a ser arte e… arma! A forma gráfica da charge pode ter uma imagem (a mais comum) e também ter uma seqüência de duas ou três cenas ou estar dentro de quadrinhos ou totalmente aberta, com balões ou legendas. Entretanto, essa poderosa arma está ligada aos costumes de uma época e região. Se for transportada para fora desse ambiente, a charge perde o impacto, pois é feita para compreensão imediata daqueles que conhecem os símbolos e costumes usados na referência. Essa é uma limitação da charge, pois torna-a temporal e perecível. Mas tem uma vantagem: dependendo de sua força informativa, pode ocupar o lugar de uma matéria ou artigo. Por isso, hoje, é merecidamente definida como um “artigo assinado”.

O cartum veio depois da charge e é diferente. A palavra inglesa “cartoon” significa: cartão, papelão duro, e deu origem ao termo cartunist ou seja: desenhista de cartazes. No Brasil, o cartum também é uma forma de expressar idéias e opiniões, seja uma crítica política, esportiva, religiosa, social. O desenho pode ter uma imagem (isolado), duas ou três (seqüenciado) dentro de quadrinhos ou aberto; pode ter balões, legendas e se beneficiar de temas fixos. Alguns cartuns têm caricatura, mas é muito raro – a não ser quando usado para satirizar figuras históricas conhecidas (Hitler, Napoleão, etc.).

A forma do Cartum é universal, atemporal e não-perecível. Qualquer leitor do mundo ri com o náufrago, o amante dentro do armário, brigas entre anjo e diabo, gato e cachorro, marido e mulher. Os temas: ET’s, amor, esportes, família e pesca, são muito explorados. O comportamento geral de políticos, militares e religiosos também, pois não é preciso definir seus países, uma vez que agem de forma igual. Num jornal, o cartum pode até ilustrar uma matéria (ilustração), porém muito raramente ocupará o lugar de um artigo assinado como a ferina e combativa charge.

Claro que a seqüência narrativa do cartum está próxima à dos quadrinhos – principalmente quando se desenrola em várias cenas -, mas isso não o torna quadrinho, pois falta-lhe personagem fixo e elenco. Por outro lado, o cartum pode ser feito com apenas um quadro (cena) e os quadrinhos não (com exceção da tira).

Os quadrinhos têm personagens e elenco fixos, narrativa seqüencial em quadros numa ordem de tempo onde um fato se desenrola através de legendas e balões com texto pertinente à imagem de cada quadrinho. A história pode se desenvolver numa tira, numa página ou em duas ou em várias páginas (revista ou álbum). É óbvio que para uma história ser em quadrinhos ela precisa ter no mínimo dois quadrinhos (ou cenas). A tira diária é uma exceção, pois, às vezes, a história pode ser muito bem contada em 1 só “quadrinho” (o espaço da própria tira), mas isso não a torna um cartum, apesar da proximidade.

Uma História em Quadrinhos é ampla e maleável. Pode ser temporal, atemporal, regional, política, policial, científica, social, erótica, esportiva, esotérica, histórica, infantil, adulta, underground, terror e de humor. Utiliza figuras humanas perfeitas ou destorcidas (caricaturadas), animais humanizados, homens animalizados, bonecos, objetos, etc.

Alguns diretores de cinema, antes de fazer um filme, quadrinizam as ações – como o caso de George Lucas em “Guerra na Estrelas”. Por outro lado algumas editoras quadrinizam um filme de sucesso e vendem a história em bancas em forma de revista

Fonte: http://aescritanasentrelinhas.d3estudio.com.br/?cat=20

 
 
 

 

Pequeno resumo:

Cartum: Crítica de costumes, genérico, anteporal.

Charge: Crítica de um personagem, fato ou acontecimento político específico, limitação temporal.

Caricatura: Exagero proposital nas caracteristicas marcantes de um indivíduo.

” A Charge é uma forma de copmunicação condensada com muitas informações, cujo entendimento depende de um conjunto de dados e fatos contemporâneos ao momento especifico em que se estabelece a relação discursiva entre o produto e o receptor.”

Por Mariana Oliveira Silva 
 
 

 

 
 
 

 

 


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